Organizações Regenerativas: Como usar o Tarot Regenerativo no contexto de organizações

Diferente da visão mecanicista que trata empresas como máquinas de produzir lucro, a abordagem regenerativa vê a organização como um sistema vivo. Ela possui identidade, ciclos de vida, crises de adaptação e um papel no ecossistema maior. O Tarot Regenerativo atua aqui não como oráculo, mas como uma lente de diagnóstico, revelando padrões ocultos (sombras) e potenciais latentes (sementes) para guiar a tomada de decisão.

Q1: CONSCIÊNCIA E CULTURA (Cartas 0 a 5)

Onde tudo começa.

Antes de agir, a organização precisa olhar para dentro. Este quadrante trata da identidade profunda, do propósito real (não apenas o do marketing) e das “sombras” corporativas (o que é dito vs. o que é feito). É a fase de reconhecer o DNA e a cultura que sustentará o crescimento.

Exemplos práticos:

1. Auditoria de Cultura e Sombra: Mapear incoerências entre os valores declarados e os praticados.

2. Definição de Propósito Evolutivo: Substituir a missão estática por uma intenção viva que guia a autonomia.

3. Ritual de Resgate de Memória: Honrar a história da fundação para destravar a inovação futura.


EIXO: VISÃO E SUSTENTAÇÃO (Cartas 6 e 17)

O Portal da Materialização.

É o ponto de encontro entre a intenção (Semente) e a viabilidade (Solo). Aqui, o sonho ganha infraestrutura. Não adianta ter uma visão regenerativa sem alocar tempo, dinheiro e pessoas para nutri-la. É o momento do planejamento estratégico e do desenho da viabilidade.

Exemplos práticos:

1. Orçamento de Inovação: Destinar recursos protegidos para projetos de risco/regeneração.

2. Planejamento Estratégico Bioinspirado: Desenhar metas inspiradas nos ciclos da natureza (não apenas crescimento linear).

3. Avaliação de Capacidade de Suporte: Analisar se a equipe tem saúde e ferramentas para entregar a visão.


Q2: ADAPTAÇÃO E EMERGÊNCIA (Cartas 7 a 11)

O Teste de Realidade.

A ideia sai do papel e encontra o mundo. Este quadrante foca na interação com o ecossistema, na formação de alianças e na capacidade de adaptação (antecipação e pivotagem). É sobre sobreviver à aridez do mercado através da colaboração e da agilidade, permitindo que o novo emerja.

Exemplos práticos:

1. Alianças Coopetitivas: Colaborar com concorrentes para resolver dores sistêmicas do setor ou região.

2. Governança Dinâmica (Sociocracia): Decisões por consentimento para agilizar a adaptação.

3. Prototipagem Rápida: Testar ideias pequenas antes de escalar, aprendendo com o erro.


Q3: CICLOS DE VALOR E PRODUÇÃO (Cartas 12 a 16)

O Metabolismo do Negócio.

A fase da operação, da entrega e do resultado. Aqui olhamos para a sustentabilidade financeira, a eficiência operacional e, crucialmente, para a circularidade. Envolve saber crescer, dar lucro, mas também reciclar

desperdícios e encerrar o que não serve mais.

Exemplos práticos:

1. Design Circular (Cradle to Cradle): Projetar produtos pensando no fim da vida útil (sem lixo).

2. Precificação de Valor Real: Incluir custos socioambientais no preço.

3. Rituais de Encerramento (Poda): Processos formais para finalizar projetos falhos e reciclar aprendizados.


Q4: IMPACTO ECOSSISTÊMICO (Cartas 18 a 21)

O Legado e a Evolução.

O nível mais alto da espiral. A organização deixa de operar apenas para si e passa a regenerar o todo. Foca em ESG, diversidade como potência e impacto líquido positivo. É a preparação para iniciar um novo ciclo em um patamar superior de consciência.

Exemplos práticos:

1. Metas Net Positive: Devolver ao meio ambiente mais do que se extrai (água, carbono, biodiversidade).

2. Propriedade Responsável: Estruturas jurídicas que protegem o propósito da venda predatória.

3. Inovação Inclusiva: Criar soluções com e para grupos marginalizados.